quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Saudade


Ai quando a saudade aperta
vem a vontade de te
ver
abraçar
beijar
sentir
acariciar...

Tanto é o desejo de te
ouvir
provar
olhar
tocar
amar...

Teu cheiro embriaga os meus
sentidos...

Ai saudade saudade
que tanto me atormentas...!!!

Graça Grega

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Respiro o teu corpo


Respiro o teu corpo:
sabe a lua-de-água
ao amanhecer,
sabe a cal molhada,
sabe a luz mordida,
sabe a brisa nua,
ao sangue dos rios,
sabe a rosa louca,
ao cair da noite
sabe a pedra amarga,
sabe à minha boca.


Eugénio de Andrade

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Maçãs verdes suculentas


Maçãs verdes suculentas
deixam saciado quem se tenta
quem as trinca
e as degusta

quem se sente seduzido
pelo seu aroma
e paladar...

Maça verde com ou sem folha
deixas agradado quem
te saboreia
e quem
te olha...!!!

Graça Grega

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Amo como ama o amor...


Amo como ama o amor.
Não conheço nenhuma outra razão
para amar senão amar.
Que queres que te diga,
além de que te amo,
se o que quero dizer-te
é que te amo!

Fernando Pessoa

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Ternura


Desvio dos teus ombros o lençol,
que é feito de ternura amarrotada,
da frescura que vem depois do sol,
quando depois do sol não vem mais nada...

Olho a roupa no chão: que tempestade!
Há restos de ternura pelo meio,
como vultos perdidos na cidade
onde uma tempestade sobreveio...

Começas a vestir-te, lentamente,
e é ternura também que vou vestindo,
para enfrentar lá fora aquela gente
que da nossa ternura anda sorrindo...

Mas ninguém sonha a pressa com que nós
a despimos assim que estamos sós!.



David Mourão Ferreira

terça-feira, 14 de outubro de 2008

Amar

Amar bem é amar loucamente...

André Suáres

domingo, 12 de outubro de 2008

Seio de Virgem


O que eu sonho noite e dia,
O que me dá poesia
E me torna a vida bela,
O que num brando roçar
Faz meu peito se agitar,
E o teu seio, donzela!

Oh! quem pintara o cetim
Desses limões de marfim,
Os leves cerúleos veios
Na brancura deslumbrante
E o tremido de teus seios?

Quando os vejo, de paixão
Sinto pruridos na mão
De os apalpar e conter...
Sorriste do meu desejo?
Loucura! bastava um beijo
Para neles se morrer! 

Álvares de Azevedo